Endividamento: Saiba a parcela que “cabe no bolso” da sua empresa.

**Autora: Rosane Machado

No momento em que você decide tomar algum tipo de crédito, a intenção inicial normalmente é de que seja possível honrar com o compromisso que será assumido, mas nem sempre o rumo da nossa empresa segue aquele que foi almejado inicialmente.

Aquela parcela que parecia fácil de ser paga, em alguns casos se torna impagável. Em outros acaba por comprometer o capital de giro, ou até mesmo gerar outros tipos de dívidas, como o atraso no pagamento de impostos, fornecedores ou até mesmo da folha de pagamento.

Ressalto que existe muitas empresas que adotam como estratégia alavancar-se com recursos de terceiros (bancos ou outros), o que pode funcionar muito bem, desde que haja controle, planejamento e organização do nível e do risco do endividamento.

Independente se sua empresa possui um endividamento, ou se deseja tomar crédito para alavancar-se, este conteúdo irá ajudá-lo a entender como deve ser definida a parcela de dívidas totais, ou seja, a parcela ideal, aquela que “cabe no bolso” da sua empresa.

Passo 1 – Faça um levantamento do resultado mensal da sua operação

O primeiro passo para se encontrar a parcela ideal é realizar um levantamento de tudo que foi pago e recebido nos últimos 6 meses, feito isso, separe todas as entradas e saídas que são decorrentes da sua operação usual como o recebimento das vendas, pagamento de fornecedores, custos fixos, folha, impostos, etc.

Lembre-se, não deve ser considerado neste levantamento entradas ou gastos não operacionais, como por exemplo: pagamento de dívidas, aquisição de máquinas, empréstimos, entre outros.  Somente considere aqueles relacionados a sua atividade fim (operacional).

Relacione as entradas operacionais e reduza das saídas operacionais, o resultado será a geração do caixa operacional da sua empresa. Ou seja, quanto a sua atividade fim é capaz de gerar caixa ao final de cada mês. Este é um importante indicador que pode ser utilizado para diversas análises estratégicas.

Não se esqueça de que este levantamento precisa ser feito com base nos últimos meses para que você possa fazer uma média desse indicador e com isso ter mais segurança na informação.

Passo 2 – Reserve uma parte da sobra de caixa para as dívidas

Ao identificar o resultado do seu caixa operacional (entradas operacionais menos as saídas operacionais)dos últimos seis meses, sugere-se que se calcule a média deste valor relativa a este período. Sabendo o valor do caixa operacional gerado, você já pode calcular a parcela ideal.

A indicação é de que o endividamento não comprometa mais do que 30% da capacidade de geração de caixa de uma empresa, já que o restante, deve ser utilizado para manutenção do capital de giro, investimentos em equipamentos, máquinas, demais imobilizados e outros investimentos que se façam necessários. Lembre-se: este valor também deve ser suficiente para remunerar os sócios que investiram no empreendimento.

Para facilitar o entendimento vamos exemplificar:

Caso a diferença entre as entradas e saídas operacionais média dos últimos seis meses resultar em R$ 30mil, aplique 30% neste valor, ou seja, R$9mil, este será o teto máximo a ser comprometido com parcelas decorrente das dívidas, sendo o restante reservado para outras finalidades.

O ideal é que mesmo que a empresa tenha muito endividamento, a parcela respeite este teto, isso pode ser feito com renegociação de dívidas antigas, acordo com fornecedores, troca de empréstimos bancários e financiamentos. Existem inúmeras estratégias que podem auxiliá-lo a adequar o endividamento a parcela ideal.

Infelizmente muitas empresas não gerenciam e controlam a parcela ideal, o que resulta no atraso de pagamentos, acúmulo de dívidas, ou até mesmo na famosa “bola de neve”.

Passo 3 – Elabore um quadro de dívidas

O quadro de dívidas tem um papel fundamental no controle e gestão do endividamento, esse serve para identificar de forma detalhada a composição do endividamento da empresa.

Para elaborar o quadro de dívidas, faça uma tabela e liste todos os empréstimos, financiamento, dívidas com terceiros, fornecedores do passado ou impostos, nada deve ficar de fora deste mapa, só assim será possível a identificação do panorama geral do endividamento.

No quadro você deve totalizar o montante das dívidas e as parcelas somadas de todas as dívidas. Caso, existam dívidas não parceladas é a hora de estimar um valor de parcela para liquidá-las, se estas forem referentes a impostos, solicite a sua contabilidade uma simulação de parcelamento.

Não deixe deixei de incluir todas as suas dívidas e garanta um ótimo controle.

Passo 4 – Se a geração do caixa operacional é negativa. O que deve ser feito?

Caso o resultado do passo 1, geração do caixa operacional, seja negativo significa que a empresa não tem uma boa performance financeira. Ou seja, as entradas não são suficientes para pagar os gastos decorrentes da própria atividade fim.

Uma empresa que opera no negativo, necessita de uma constante injeção de recurso para dar conta dos compromissos e o endividamento só aumentará, nestes casos é necessária uma avaliação aprofundada dos preços e dos custos.

Não esqueça!!! Antes de contratar novos empréstimos, avalie suas estratégias e construa um planejamento de longo prazo, contrair novas dívidas operando com prejuízo só vai piorar a situação financeira.

Nestes casos o ideal é solicitar auxílio a consultores especializados no assunto, para que possa ser traçado rapidamente um plano de ações emergenciais. Não espere as dificuldades chegarem!  Você poder contar com ajuda profissional qualificada em gestão, que fará a diferença no seu negócio!  Fale com um consultor especializado da RomaBC clicando aqui ou deixe seu contato nos comentários.

** Sobre autora:

É Consultora empresarial, Palestrante, Contadora e Mestre em Ciências Contábeis. Possui larga experiência na área de contabilidade gerencial, com ênfase em gestão estratégica de custos, gestão de riscos e controladoria. Atuou em empresas multinacionais, na área de controladoria. Atuou como professora de graduação presencial e EAD em Universidades como: Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Centro universitário FEEVALE, Faculdades Monteiro Lobato, entre outras. Foi Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis e do Núcleo de Apoio Fiscal- NAF. Participou do grupo de pesquisa Gestão de Tecnologia da Informação (GTI); É autora de artigos científicos e livros na área de contabilidade gerencial e Internacional (IFRS). Atualmente é Diretora de Controladoria da Roma Contabilidade e consultoria, professora de pós-graduação MBAs na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS); UNILASALLE; FAPA e ULBRA, nas áreas de contabilidade gerencial, societária, internacional (IFRS) e Administração Financeira e Palestrante de cursos de curta duração (Extensão) em diferentes instituições, entre elas: ACI, ACIS, SULPETRO e ABRASEL.

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