Governança, sucessão e gestão patrimonial. Inovação e profissionalização para a continuidade dos negócios. – Roma Business Consulting

Governança, sucessão e gestão patrimonial. Inovação e profissionalização para a continuidade dos negócios.

Governança, sucessão e gestão patrimonial. Inovação e profissionalização para a continuidade dos negócios.

Autora: Rosane Machado

Na maioria dos países ocidentais, a empresa familiar é dominante na estrutura econômica. No Brasil, isso não é diferente, já que muitos são os negócios familiares. O que move muitas dessas empresas é o desejo do fundador, de seus sucessores em manter a propriedade e gestão dos negócios nas mãos da família. Esse desejo esbarra em muitos desafios a serem superados, dentre eles: os conflitos de interesse, a definição e preparação do sucessor, a profissionalização da gestão e a organização da empresa e do seu patrimônio.

Engana-se quem pensa que governança, sucessão e gestão do patrimônio é um tema excludente para empresas de pequeno e médio porte. Uma das principais perguntas que geram grande reflexão nas consultorias que prestamos é: daqui há dez anos quem estará à frente da sua empresa? Quem irá continuar o seu legado? Ter clareza nessa organização e planejamento para o futuro da sociedade e do patrimônio contribuem significativamente para a profissionalização e organização dos controles.

A preocupação dos gestores com a profissionalização tem aumentado gradativamente ao longo das décadas. A escolha por uma gestão mais profissional parte do intuito de identificar, tratar e minimizar suas fraquezas e explorar suas potencialidades, com o olhar voltado a estratégias que ampliem seu poder competitivo. 

Investimentos em sistemas, processos e pessoas para maior controle financeiro, auxílio profissional para identificação de oportunidades tributárias e de negócio, ou até mesmo para criação de estratégias patrimoniais, como o uso de holdings, tem sido cada vez mais frequente em empresas que desejam profissionalizar-se e ampliar a sua lucratividade.

Infelizmente as decisões atreladas principalmente ao patrimônio nem sempre são tomadas de forma organizada. Um exemplo clássico são as aquisições de imóveis, abertura de novas empresas, filiais, matriz ou novos negócios. A pergunta em qual CPF ou CNPJ alocar esses bens ou operações precisa ser respondida com uma análise aprofundada, atreladas a estratégia de perpetuidade do patrimônio dos empresários e dos negócios. Quem não faz isso incorre em assumir riscos patrimoniais e por vezes ainda no pagamento indevido de impostos. As melhores estratégias estão atreladas a dados organizados, oriundo da organização dos processos e informações, isso é governança. 

A intuição do fundador, atrelada a experiência obtida durante anos de vivência do negócio é valiosa e de extrema importância para a gestão. Quando atrelada a dados confiáveis oriundos de controles internos eficientes e a inovação trazida por vezes dos sucessores, o resultado é a continuidade dos negócios, além de trazer excelentes resultados. Possuir um nível adequado de gestão e governança pode ampliar inclusive o valor da companhia, em uma estratégia de combinação de negócios ou venda.

A gestão e a governança profissionalizada não são isentas de interferência.  Considerando que o fator “herança” pode impactar o comando do negócio, os herdeiros, ainda que não ocupem cargos de direção na empresa, podem afetar as políticas organizacionais e as estratégias empresariais. 

Em pesquisa recente realizada sobre as boas práticas de governança com um grupo de empresários do Rio Grande do Sul, 87% consideraram que a governança corporativa contribui para a Inovação e destes apenas 40% estão preparando seus sucessores para as transformações digitais. Nesta pesquisa se verificou que os empresários consideram importante a geração futura assumir as funções principais do negócio para trazer uma visão mais moderna, além de ampliar e diversificar o negócio e integrar o conselho de administração.  

Pode-se concluir que se os herdeiros não estiverem bem preparados para a sucessão, podem ocasionar grandes “estragos” no desempenho das empresas. Gerenciar e governar uma empresa familiar, ou não, significa assumir riscos. Não podemos ser ingênuos a ponto de acreditar que haverá organização com risco zero.  O desafio empresarial está em gerenciar o maior número de riscos possíveis e escolher aqueles que poderão ser aceitos ou tolerados.

A implantação de um modelo de governança alinhada à profissionalização do negócio não só impacta significativamente na redução dos riscos em que a relação empresa, família, patrimônio estão expostos, como também contribuem significativamente no processo de sucessão empresarial, melhorando a relação entre sucessores e sucedidos.

Uma boa forma de dar um passo à frente deste processo é uma avaliação atual do modelo decisório, do nível de uso dos mecanismos de governança e das práticas de sucessão. 

Destaco ainda como passos iniciais para ampliação da governança: 1- a reorganização societária e patrimonial, 2- o cuidado com o grupo econômico, configuração e análise das unidades de negócio; 3- a elaboração de um bom acordo de sócios e 4- um diagnóstico dos controles internos e dos processos à eles atrelados. Busque ajuda profissional para a implantação destes processos, ganhe agilidade e clareza na sua gestão!  

** Autora Rosane Machado

** Sobre autora: É Consultora empresarial, Palestrante, Contadora e Mestre em Ciências Contábeis. Possui larga experiência na área de contabilidade gerencial, com ênfase em gestão estratégica de custos, gestão de riscos e controladoria. Atuou em empresas multinacionais, na área de controladoria. Atuou como professora de graduação presencial e EAD em Universidades como: Universidade do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS, Centro universitário FEEVALE, Faculdades Monteiro Lobato, entre outras. Foi Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis e do Núcleo de Apoio Fiscal- NAF. Participou do grupo de pesquisa Gestão de Tecnologia da Informação (GTI); É autora de artigos científicos e livros na área de contabilidade gerencial e Internacional (IFRS). Atualmente é sócia da Roma Contabilidade e consultoria, professora de pós-graduação MBAs na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS); UNILASALLE; FAPA e ULBRA, nas áreas de contabilidade gerencial, societária, internacional (IFRS) e Administração Financeira e Palestrante de cursos de curta duração (Extensão) em diferentes instituições, entre elas: ACI, ACIS, SULPETRO e ABRASEL.