5 desafios ao acessar o crédito e as recomendações de como superá-los em tempos de crise – Roma Business Consulting

5 desafios ao acessar o crédito e as recomendações de como superá-los em tempos de crise

5 desafios ao acessar o crédito e as recomendações de como superá-los em tempos de crise

Em tempos de dificuldades com fluxo de caixa, devido principalmente a redução drástica de faturamento, muitos empresários têm nos procurado buscando soluções imediatas para principalmente repor o capital de giro necessário à sobrevivência das suas empresas. 

Independe de qual seja o cenário financeiro, manter e controlar o fluxo de caixa de forma saudável é sem dúvida um dos maiores desafios para as empresas, independente do seu tamanho ou segmento. Para realizar esta tarefa, já é sabido que é essencial um acompanhamento constante dos números do caixa, isto porque, com estes dados é possível a identificação do capital de giro necessário a manutenção dos negócios, bem como possíveis aportes de recursos próprios (dinheiro dos sócios) para suprir a falta de dinheiro e manutenção das contas.

Estamos vivendo uma crise de liquidez e não uma crise de crédito, não se confunda! 

A falta de liquidez representa a incapacidade de pagar as contas em um curto período, se por exemplo mantermos a nossa empresa fechada por 30 dias, neste período não haverá faturamento, por consequência não existirão entradas de dinheiro e com isso não será possível pagar as contas com as vendas deste mês. Logo, não teremos liquidez neste período.

Já a falta de crédito esta intimamente ligada a incapacidade de buscar recursos financeiros. Durante a vida da empresa, ela constrói uma história que reflete em seu relacionamento com seus stakeholders, ou seja, mercado, fornecedores, clientes, colaboradores e instituições financeiras. Ela cria uma reputação, não só decorrente da sua atividade fim e da qualidade de seus produtos, mas, também da forma em que faz a sua gestão financeira e isso afeta diretamente na possibilidade de obter linhas crédito.

As previsões econômicas indicam que vivemos uma crise que tende a ter impactos financeiros futuros, de até dois anos, sendo os primeiros seis meses os mais drásticos e difíceis. Uma dica importante que norteia os demais pontos que virão a seguir é: tenha CUIDADO com o imediatismo financeiro, o medo de não sobreviver ou de faltar dinheiro pode acarretar duras falhas com consequências terríveis à longo prazo. 

  1. Em que momento devo recorrer aos bancos 

Antes de sair correndo e captar o recurso que aparecer, seja ele linha de crédito imediata, usar o cheque especial ou antecipar o cartão de crédito, faça o tema de casa!

Realize um levantamento de tudo o que você tem a receber e a pagar. NEGOCIE E NEGOCIE! Não tenha medo nem vergonha de pedir prorrogação aos seus fornecedores ou fazer um acordo ou parcelamento do que está vencido. 

Não é a hora de sua empresa ficar negativada e nem de pagar juros excessivos com cartórios, multas e juros. Se não há entrada de recurso use essa justificativa com seu fornecedor.

Projete as entradas e saídas para no mínimo 90 dias, você tem motivos suficientes para planejar o seu caixa! Elabore uma planilha resumida para projeção de cenário para três meses, seja conservador: Nem pessimista demais e nem otimista ao extremo! 

Com base nessa projeção, você saberá se precisa mesmo de recurso, somente com esta avaliação concluída você deve buscar. Aqueles que já possuem linhas de crédito pré-aprovadas, a recomendação é tomar parte delas, desde que sejam atrativas, caso contrário devem captar o menor valor possível para suportar no máximo 45 dias, assim você ganha tempo para ir atrás de um recurso com taxas, carência e prazos melhores.

  1. Como ampliar as possibilidades de crédito.

Um dos grandes erros que identificamos nas consultorias de fluxo de caixa é que por comodidade, ou na ideia de economizar na tarifa bancária, os empresários acabam centralizando suas operações em um único banco. 

Com isso não expandem as oportunidades de acesso ao crédito. A liberação de limites mais amplos e de recursos mais baratos, dependem do relacionamento que você constrói com banco e sabemos que o tempo mínimo desta construção é de seis meses. 

Nossa recomendação é que as empresas trabalhem com três bancos e que dividam sua movimentação nestes três. Nossa sugestão, que almejamos como ideal, é escolher um banco público, um privado e uma cooperativa de crédito. Assim, haverá uma diversidade de possibilidades.

Lembre-se: Você ainda pode fazer isso!!!

 Mesmo que tenham chegado até aqui com um único banco de operação, abra novas contas e comece esta estratégia agora mesmo. Assim, em seis meses suas possibilidades de crédito irão se ampliar, o importante é ter acesso ao crédito. Caso haja uma necessidade daqui há três ou seis meses você já terá mais possibilidades para avaliar, não perca tempo.

  1. Avaliação do crédito – os números da minha empresa “jogam” a meu favor?  

Toda solicitação de empréstimo ou limites liberados são feitas após uma análise de crédito. As instituições financeiras verificam se a empresa irá conseguir honrar seus compromissos, toda essa avaliação é feita com base no passado da empresa.

Nestas análises são verificados: 

1 – A inadimplência, se a empresa tem ou não restrições; 

2- O faturamento dos últimos meses, normalmente é solicitado doze meses  para uma  avaliação da entrada de recurso no fluxo de caixa da empresa em relação ao seu tamanho; 

3 – O histórico de empréstimos anteriores, se é bom pagador; 

4 – Os índices financeiros da sua empresa, como por exemplo a liquidez, que demostra a capacidade de pagamento da empresa e o grau de endividamento, que reflete quanto a empresa já tem comprometido de seus rendimentos com terceiros, ambos índices são obtidos pelo balanço anual ou balancete mensal; 

5 – As certidões negativas de débitos, elas comprovam que a empresa está com seus impostos em dia, incluindo o INSS e FGTS decorrentes da folha de pagamento; e

6 – As garantias, as linhas de crédito com estas, normalmente possuem melhores taxas. Muito Cuidado!! Não é possível ter a garantia em um lugar e a renda no outro, isto inviabiliza muitos contratos. Outro erro usual dos empresários é ofertar bens em garantia muito maiores do que o valor a ser captado, prejudicando o acesso a linha de créditos futuras. 

Quando o banco tiver todas as informações sobre sua vida financeira, ele utilizará um sistema conhecido como Score. Esse método calcula os riscos para cada concessão de crédito. O Score é uma pontuação de crédito, sendo um índice numérico que varia de empresa para empresa. Através da pontuação obtida, o banco avalia se o solicitante do empréstimo está pagando suas dívidas e se vale a pena emprestar o dinheiro.

Se você é daquele tipo de empresário que tem dificuldades com as informações contábeis da sua empresa, fique ligado! Estes são os principais dados enviados ao banco, servem como uma fotografia da realidade financeira atual do seu negócio, imprescindíveis para um bom acesso ao crédito. 

Jogue junto com seu contador, peça também ajuda a consultores que podem avaliar a situação atual com um olhar imparcial e sugerir melhorias para que a realidade verdadeira da empresa seja refletida em seus números. 

  1. É preciso ter cautela nas negociações?

Invista seu tempo em uma boa negociação! Converse com diferentes gerentes, pesquise na internet por novidades em relação à linhas disponíveis.

A melhor referência para a taxa de juros ainda é a taxa Selic, antes da crise. Tenha cuidado com as taxas de contratação – TAC, IOF, contratação de seguros e consórcios embutidos, todos estes interferem no valor da negociação.

Em função da crise covid-19, vários bancos estão com linhas para capital de giro com aumento do número de parcelas e maior prazo de carência para iniciar o pagamento. O período de carência no pagamento é fundamental para suportar uma crise de liquidez como esta que estamos vivenciando, o ideal é iniciarmos o pagamento quando o período mais crítico da crise passar. 

Não se esqueça que linhas novas podem surgir a qualquer momento e nada o impede a criar uma estratégia de troca de dívidas, por exemplo, se já houve uma captação de recursos com taxas mais elevadas no passado e hoje há acesso a uma linha melhor, com taxa menor e período de carência para pagamento, nada o impede de efetuar a troca.  

  1. De que maneira encontrar a melhor linha de crédito disponível

A busca pela melhor linha de crédito disponível não é tarefa fácil para algumas empresas, principalmente as menores. 

Para auxiliar, elaboramos um pequeno quadro resumo com as principais linhas e taxas de negociação, as taxas listadas são apenas uma referência e dependem do seu relacionamento, suas informações e por consequência seu score com cada banco.

Origem/BancoLinha de CréditoCaracterísticasQuem pode acessar?Informação extra
BNDES Linha emergencial para financiamento de salários de maio e junho.Taxa de juros de 3,5% ao ano e carência de 6 meses para iniciar o pagamento.Empresas no geral, através dos bancos correspondentes.Uma característica da linha de crédito é que o líquido do empréstimo será creditado diretamente ao colaborador. Esta linha precisa ser avaliada com cautela, pois acarreta um período de estabilidade ao colaborador, não poderá haver rescisões.
BNDES – através dos bancos correspondentes. Dentre eles BB, CEF, Banrisul, Sicredi, Bradesco e Itaú.Medida emergencial para reduzir impactos do Novo Coronavírus.Taxa BNDES 1,25% ao ano +taxa e condições do agenteCarência de 24meses + 3 anos de pagamento:Prazo total de 5 anos.Empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões até 30.09.2020.Não é necessário apresentar nenhum projeto.
Banco do BrasilBB giro empresaTaxas: a partir de 0,84%. Carência: até 90 dias.
Prazo total: até 36 meses.
Empresas com faturamento anual igual ou inferior a um milhão de reais. Se aplica ao comércio, indústria, serviços, cooperativas, associações e MEIs.Limite do crédito: varia para cada cliente.Encargos: de acordo com o perfil de cada proponente e risco.

Caixa Econômica Federal
Giro Caixa FácilCarência de 60 dias à 6 meses.
Prazo total: 60 meses.
Pessoas Jurídicas no geral.Limite do crédito: 2 milhões de reais.
Caixa Econômica FederalGiro Caixa (recursos do PIS)Taxas: a partir de 0,83% ao mês.
Prazo total: 24 meses.
Público-alvo: pessoa jurídica.Mais informações: no site, no Internet Banking ou no telefone 0800 726 0505.
BradescoCapital de Giro para financiar o ciclo operacional da empresa.Taxas: a partir de 0,94% ao mês.
Carência: até 60 dias.
Prazo total: até 36 meses.
Empresas com faturamento de até 5 milhões de reais por ano.Limite do crédito: até 500 mil reais.
Bradesco


Giro Fácil BradescoTaxas: a partir de 1,85% ao mês (quanto maior o prazo, menor a taxa).
Carência: até 60 dias.
Prazo total: até 48 meses.
Empresas com faturamento de até 5 milhões de reais por ano.Finalidade: compra de matéria-prima, investimento e estoque e ajudar no fluxo de caixa das empresas.
Limite do crédito: até 500 mil reais.
Cooperativa Sicredi Capital de GiroTaxas: a partir de 1,50% ao mês.
Carência: até 6 meses.
Prazo total: até 36 meses.
Público-alvo: empresas associadas ao Sicredi.
Finalidade: fluxo de caixa.
Limite do crédito: até 2,5 milhões de reais.
Cooperativa SicrediCapital de Giro Pequenas Empresas 
Taxas: a partir de 1,16% ao mês.
Carência: até 24 meses.
Prazo total: até 60 meses.
Público-alvo: empresas com faturamento anual até 90 milhões de reais.Finalidade: fluxo de caixa.
Limite do crédito: até 500 mil reais.

As linhas de créditos listadas, podem servir como um norte para você avaliar, mas é possível que existam linhas de crédito especificas para sua empresa ou sua atividade, ainda mais vantajosa. Buscar pela melhor linha de crédito disponível não é tarefa fácil para algumas empresas, principalmente as menores, você precisa agir rápido e ser persistente, a cada dia podem surgir novas oportunidades ou o seu score pode mudar. 

Dentre as ofertas de crédito disponíveis as linhas do BNDES são bem atrativas, principalmente o crédito emergencial, para acessá-la entre em contato com o banco correspondente para análise de limites e linhas disponíveis.

Ganhe tempo providenciando documentos de praxe, dentre eles o balancete contábil, a declaração de faturamento e as certidões negativas de débitos, se houverem. Envie a documentação para avaliação do seu banco ou entre em contato com algum banco correspondente. 

No finalzinho do mês de abr/20 foi aprovada a Medida Provisória (MP) 958/20 que buscou facilitar o acesso aos bancos públicos, dentre eles a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o BNDES, através dos bancos correspondentes. Esta medida provisória reduziu a lista dos documentos que precisam ser apresentados pelas empresas na hora de tomar ou renovar um empréstimo em um banco público. Houve a dispensa de diversas certidões negativas, exceto as dívidas previdenciárias (INSS) e essa MP tem validade até 30/setembro, com efeito na data da divulgação 27/04.

Se a sua empresa é de pequeno porte, o Sebrae disponibilizou uma cartilha de acesso ao credito, lá estão informações detalhadas de diversas linhas e como acessá-las, click neste link para acessar a cartilha do Sebrae 👉🏻: https://bit.ly/2xSQ8mP

Cabe destacar que para obter crédito é necessário cuidar dos seus números e ter um bom relacionamento com os bancos, diversificando as possibilidades de acesso: Claro! Sempre com um planejamento do fluxo de caixa. Se você tem dificuldades em entender seus números, ter acesso ao crédito, dominar seu capital de giro e planejar seu caixa, saiba mais sobre o Projeto Reagir, em:  https://conteudo.romabc.com.br/projeto-reagir2020